Correio Central
Voltar Notícia publicada em 30/03/2022

Ouro Preto (RO): Suspeito de matar menor estuda o Alcorão islâmico

O instinto doentio maligno empregado no assassinato carece de aprofundar mais sobre as andanças, as companhias e os hábitos desse habitante local.

Por Edmilson Rodrigues - Na garimpagem por informações sobre Ronaldo dos Santos Lira, o Fronteira, indivíduo que depois das eleições de 2016, quando disputou uma cadeira na Câmara Municipal da Estância Turística Ouro Preto do Oeste, ganhou espaço político na cidade e na sociedade local, até ser preso no último dia 20 depois de a polícia descobrir a atitude macabra dele de matar uma adolescente com requinte de crueldade, e por cal sobre a cova que cavou no quintal.

O instinto doentio maligno empregado no assassinato carece de aprofundar mais sobre as andanças, as companhias e os hábitos desse habitante local, que por enquanto preso temporário da Justiça até o fim da investigação.  

A reportagem foi a fundo para descobrir quais os representantes políticos que foram ao gabinete do então prefeito Vagno Gonçalves Barros, o “Vagno Panisoly”, em 2020, pedir a vaga da nomeação na UBS do Jardim Aeroporto, que havia sido deixada pelo ocupante que foi para a residência do DER.

Mas algo ainda mais curioso, encontrado na casa de Ronaldo são livros sobre o islamismo e de estudos sobre interpretações do Alcorão Sagrado, que podem ser adquiridos pela internet.

O texto sagrado do islamismo versa sobre o direito de todos ao conhecimento, a liberdade dos seguidores e o respeito, mas a atitude do preso temporário de Ouro Preto vai em via contrária ao que é sagrado.     

O site Correio Central teve acesso a imagens de dois livros de cabeceira do acusado. Um dos livros é a publicação “As Interpretação do último décimo do Alcorão Sagrado – e em seguida: Regras que interessam a todo mulçumano”.  

Outro livro do acervo de Ronaldo “A Mensagem do Islam”, escrito por Abdurrahman al-Sheha, descreve a principal mensagem da religião islâmica e suas recomendações, tem 55 capítulos, sendo os 15 primeiros  – Monoteísmo no Islam, os Principais objetivos do Islam, Qualidades Distintas do Islam, o Aspecto Espiritual do Islam, Crença em Allah, Crenças nos Anjos, os Méritos nas Crenças nos Anjos, Crença nos Livros de Allah, Crença nos Mensageiros, Quem é Muhammad?, O Mérito da Crença nos Mensageiros e Crença do Último Dia.   

Na introdução, o escritor cita que “o Islam é a religião que concorda com as disposições naturais do homem. Ela encoraja os muçulmanos e os chama para que perguntem sobre as coisas que são incompreensíveis a eles, através da consultas às autoridades competentes e versadas. No Islam não há coisas obscuras ou misteriosas; ela nos permite perguntar sobre todas as coisas”.

O delegado Niki Alves Locatelli informou ontem que não há nenhuma relação sobre esses livros na investigação que apura o assassinato de Laryssa, sequer fazem parte do inquérito.

O texto do Alcorão data do século 7 e não há referências ao mundo moderno principalmente no que diz respeito à liberdade das mulheres, embora hoje na maioria dos países mulçumanos essas doutrinas rígidas estão caindo e mulheres podem dirigir, votar, trabalhar, estudar, ocupar posições governamentais e sociais etc.

Mas há países mais fundamentalistas com intepretação equivocada que não respeitam a lei islâmica na sua íntegra. Na Arábia Saudita, por exemplo, mulheres só ganharam o direito a dirigir em 2018.

O Talibã que voltou controlar o Afeganistão, quando há 20 anos estava no poder, havia denúncias de que o extremismo imperado à época restringia os direitos das mulheres a serviços básicos, ao trabalho e estudo, além de serem submetidas a barbáries.

Em se tratando de Ronaldo dos Santos Lira qualquer atitude dele e hábitos do seu cotidiano passam a ser suspeitas, se interpretadas erroneamente.  

 

 

Fonte: www.correiocentralro.com.br